quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O boom populacional de doutores no Brasil

Hoje as universidades, mais do que formar profissionais para o mercado de trabalho, viraram um grande centro de formação de pesquisadores. Um estudo desenvolvido pelo Centro de Gestão de Estudo Estratégicos (CGEE)em 2010 mostra que o número de doutores entre 1996 e 2008 cresceu 278%. Esse aumento no número de pós-graduandos é importantíssimo para a pesquisa no Brasil, que no último ano passou a fazer parte do seleto grupo dos 20 países com maior número de publicações científicas.

Em diversas profissões uma pós-graduação, além da pesquisa pura, visa posicionar o profissional dentro de um determinado mercado, fazendo com que ele tenha um conhecimento maior em determinado assunto, ajudando-o a se inserir no mercado de trabalho.

Na biologia um curso de pós-graduação está ligado quase que exclusivamente a pesquisa científica. Isso pode ser evidenciado na proporção entre cursos lactu sensu e sensus stricto para biólogos. Embora eu não tenha um dado preciso, pelo menos nas grandes universidades de São Paulo posso afirmar que existem muito mais pós-graduação de biologia voltada para a pesquisa (strictu sensus – mestrado e doutorado) do que para sua aplicação no mercado de trabalho (lactu sensus – especialização e MBA).

Isso faz com que a pesquisa em biologia no Brasil seja muito bem conceituada: publicações em revistas respeitáveis, cursos de pós-graduações reconhecidos internacionalmente, pós-doutorados e parcerias com importantes universidades estrangeiras, congressos e simpósios com número expressivo de pesquisadores estrangeiro, etc.

Porém esse desenvolvimento da pesquisa, na biologia em especial, esconde um problema: pra onde vão tantos pós-graduandos?

Um exemplo: Na Universidade Federal de São Carlos temos 3 programas de pós graduação dentro da biologia. Em média temos uns 10 orientadores em cada programa. Agora vamos imaginar que no começo de um determinado ano para cada orientador ingressem um aluno de doutorado e 2 de mestrado (o que não é muito). São 90 pesquisadores que serão formados em apenas uma universidade! Apenas os que ingressaram em um ano! Será que o “mercado acadêmico” comporta tantos pesquisadores?

Muitas vezes pela falta de perspectiva e orientação de como ingressar no mercado de trabalho, o biólogo recém-formado se ilude com a facilidade de uma bolsa de pós-graduação, sem questionar aonde isso o vai levar. Isso só piora a situação: depois de 2 anos de mestrado e 4 de doutorado o biólogo acaba se encontrando num limbo – onde aplicar tanto conhecimento?

Uma boa iniciativa para a solução deste problema seria um maior envolvimento da iniciativa privada com as universidades, não apenas financiando, mas também direcionando o desenvolvimento de pesquisas e projetos em áreas estratégicas e assimilando esses futuros pesquisadores. Outra sugestão é os cursos de graduação em Biologia orientarem seus alunos sobre as diversas carreiras de um biólogo e fazendo-os enxergar que uma pós-graduação nem sempre os ajudará a arrumar um emprego.

Nenhum comentário:

Postar um comentário